A cada dois anos acontece o maior evento da propaganda e publicidade brasileira: eleições. É o momento em que são criados mocinhos e bandidos, verdadeiros personagens, que abusam da retórica sobre os inúmeros projetos propostos.
Para aqueles que ocupam a situação, a grande arma no combate eleitoral é sem dúvida, apresentar o trabalho realizado. E assim como na fábula, toda coruja tem os filhos mais lindos, portanto quando assistimos, lemos ou ouvimos as propagandas, a impressão que nos é passada é a de que estamos no Jardim do Éden.
E assim é o estado de São Paulo em relação às escolas estaduais. Os números apresentados ao longo dos últimos anos, nessa perpetuação do PSDB no executivo estadual, é estatística "seca", ou seja, sem nenhum parâmetro qualitativo do ensino.
A questão é complexa, passa por todos envolvidos no processo, mas para iniciar o debate, o foco será aprovações. A aprovação do aluno está vinculada à proposta pedagógica do governo estadual, que deturpou a proposta de progressão continuada, da seguinte maneira: levando em conta que a evasão escolar está ligada às reprovações que muitos alunos sofriam, a melhor forma de mantê-lo na escola é dando a ele a oportunidade de sequência nas séries para eliminar suas carências e dificuldades nos anos seguintes, o que na prática levou a uma APROVAÇÃO AUTOMÁTICA.
Hoje é claro para os alunos que "todos passam de ano", a menos que "estourem" de faltas, como popularmente dizem. O efeito nefasto dessa prática é o desestímulo geral causado, tanto para alunos como para professores.
Os alunos que não enxergam na escola a oportunidade de melhora em sua condição, não só econômica, mas também humana, cada vez menos se importam com o aproveitamento de seu tempo dentro da escola, estão lá por obrigação, pela presença nos registros, levando a sala de aula a um ambiente cada vez menos adequado para aprendizagem.
Quanto aos professores, ao chegar o final do ano vê-se, mediante todas as pressões, a aprovação de um aluno que não possui a mínima capacidade de evoluir para série seguinte, desmoralizando assim seu trabalho e sendo obrigados a ouvir em sala de aula dos alunos que suas avaliações de nada valem, se na verdade todos seguem para a próxima série tendo o número de presenças mínimo.
Assim, segue-se, ano após ano, a fabricação de um número sem fim de diplomas nos mais variados níveis de ensino nas escolas estaduais paulistas, engordando os números eleitoreiros e diminuindo a capacidade crítica da sociedade.
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